Basta olhar o Parque Vaca Brava de cima para entender o que está acontecendo. Em volta dele, uma coroa de torres se fecha, e cada uma disputa o mesmo pedaço de verde. O City Park ergue três delas, o Majestic, o Palace e o Royal, com quase 200 metros de altura e o parque inteiro como vizinho. O Bauhaus, da Sousa Andrade, ocupa a esquina da T 10 com a T 3, debruçado sobre o lago, com plantas de 350 a 740 metros e chaves previstas para maio de 2028. Antes deles, outros já entregaram o céu a seus moradores. O Epic, com plantas de 334 a 741 metros, foi entregue em julho de 2024. O Raro, com um apartamento por andar e apenas dez residências, em outubro do mesmo ano. E o Casa Opus Vaca Brava segue como uma das moradias mais cobiçadas da orla. Logo adiante vem o Arq Opus, com vista panorâmica para o parque e entrega prevista para abril de 2027.
E o tabuleiro ainda se move. A Sousa Andrade prepara um novo lançamento na continuação da T 10, em um terreno onde funcionava um posto de combustível, em frente à Decathlon. É mais uma peça sobre um chão que o mercado já não consegue replicar.
O endereço que não se repete.
Durante anos, o metro quadrado de Goiânia pareceu estacionado abaixo dos R$ 20 mil. Hoje, os lançamentos de frente para o parque trabalham na casa dos R$ 17 mil a R$ 19 mil, e as pedidas de revenda no topo do mercado já atravessaram essa linha. É bom que o goianiense vá se acostumando com a ideia da hipervalorização frente a parque, porque o que se desenha aqui não é bolha, é geografia. O parque é finito, os terrenos à sua frente acabaram, e nenhum produto novo poderá disputar aquele endereço. Quem comprou ali comprou algo que a cidade não pode mais fabricar.
Quando o prédio vira obra
Quando o endereço não se repete, o que se disputa é o que se constrói sobre ele. Wellness, áreas verdes, paisagismo de assinatura, fachadas imponentes. O edifício deixa de ser produto e passa a ser artefato, composição artística dentro do mercado imobiliário. O Bauhaus, por exemplo, recebe o morador em um hall de arte e design com mobiliário de Oscar Niemeyer, Sérgio Rodrigues e Jorge Zalszupin. Nomes como Arthur Casas, Frederico Bretones, Victor Tomé e CostaVeras desenham o horizonte como quem desenha uma obra, e o preço acompanha a pena do artista.
Se pararmos um pouco para analisar o fenômeno nas praças maduras, veremos a disparidade de valores entre uma quadra e outra, a poucas ruas de distância. O que parecia exagero há algum tempo hoje é realidade, e o que separa um metro quadrado do outro já não é a distância, é a vista, o verde e a assinatura. Da arquitetura contemporânea à modernista, há empreendimento para todos os que têm bom gosto.
A vida urbana de Goiânia ganha contornos artísticos, e a beleza, que nasce nos parques, se entranha pela cidade como a bruma que sobe do verde e se mistura ao urbano. Quem ganha com isso? Quem comprou, quem compra e, por fim, todos os que valorizam o mercado imobiliário. Goiânia não está apenas na rota da valorização. Está na rota da conspicuidade, da beleza, do charme.
Eduardo Mendes – Diretor Executivo da Orla Experiência Imobiliária.

